terça-feira, 24 de junho de 2008

História do apelido “Queirós”, e a sua vinda para Boadela














O apelido da família “Queirós” deriva do apelido asturiano “Quirós”. Esta linhagem é uma das mais antigas das Astúrias, tendo provindo do Príncipe Constantino, filho dos Imperadores de Constantinopla e de D. Galinda Bernardo, filha de D. Bernardo del Cárpio e de sua mulher D. Gosinda, neta paterna do conde D. Sancho Dias de Saldanha e da Infanta D. Ximena, filha do Rei D. Fruela I.
Gonçalo Bernardo de Quirós, segundo estudos genealógicos era quarto neto por varonia do Píncipe Contantino e de sua mulher D. Galinda Bernardo, casou com D. Maria de Nava, filha dos condes de Nava. Estes foram pais de Guterre Gonçalves de Quirós, conde de Santo Antoim, o qual viria a ser muito estimado pelo Rei D. Henrique e D. João I. Guterre Gonçalves de Quirós terá casado com D. Sancha Queixada, filha dos senhores de Vila Garcia, Condes de Pena Flor, de quem houve geração.
Os linhagistas referem que Guterre Gonçalves Quirós terá tido como irmão consangníneo Fernando Álvares de Queirós, fidalgo asturiense que veio para Portugal no reinado de D. Fernando I, tendo-lhe este monarca concedido diversas mercês sobre pisões e azenhas em Alcácer do Sal. O rei D. João I ter-lhe-á concedido os senhorios da Guarda e de Valhelhas. Casou D. Fernando Álvares de Queirós com D. Elvira de Castro, e tiveram como geração João de Queirós (que morreu sem deixar descendência) e D. Leonor Álvares de Queirós. D. Leonor Álvares de Queirós terá casado com Vasco Fernandes de Gouveia, alcaide-mor de Castelo Branco. Deste casamento surtiu geração em que parte dela seguiu o apelido de Queirós, e outra parte terá tomado o de Gouveia. No entender de alguns autores, terá sido Maria de Queirós (filha de D. Leonor e Vasco de Gouveia), a qual teve geração, que deu seguimento aos apelidos de Queirós, bem como de Ramalho.
Posto isto, o apelido de “Queirós” terá proliferado em Portugal, sem, contudo, entrar em vulgarização desenfreada. Surgiu, por via de casamento, no séc. XVIII, em Ribeira de Pena, distrito de Vila Real. No final do séc. XIX, D. Jesuíno Gonçalves de Queirós terá casado com D. Luíza de Albuquerque Mendonça, os quais morreram ainda muito jovens em virtude de uma das muitas epidemias daquele tempo. Tiveram como geração Albino Gonçalves de Queirós e José Gonçalves de Queirós. José Gonçalves de Queirós, nasceu nas margens do Tamega, em Daivões, em 1909. Terá ficado muito cedo sem pais, tendo sido criado com os avós maternos, passando a sua infância na Herdade de Casas Novas em Daivões. Mais tarde foi para Lisboa onde cumpriu serviço militar, num contexto de instabilidade político-governativa, marcada pelo fracasso dos primeiros governos republicanos, e com o ascender do Estado Novo. O abandono da carreira militar ter-lhe-á sido difícil devido à grande paixão e empenho que por ela nutria. O sentimento patriótico proliferante na época, a ideia de respeito, de disciplina, e do dever de servir a Nação eram divisas suas, que nunca iria abdicar ao longo da sua vida. Regressado à Província, José Gonçalves de Queirós casou com Rita Pereira Vilela, filha de Manuel Baltazar Vilela, morgado de Rabiçais, também pertencente ao Concelho de Ribeira de Pena, passando a viver em Boadela na Casa do Gervásio. Tiveram como geração Lucas Vilela de Queirós, Eugénio F. Vilela de Queirós, Manuel Vilela de Queirós, e José Vilela de Queirós.
Não obstante esta via pela qual o apelido “Queirós” veio para Boadela, este já figurava na referida aldeia. Esse terá surgido com o casamento de Vitorino Pereira do Cabo, pertencente à Casa do Barreiro com uma Senhora pertencente à Casa de Cima de Leiradas, tendo o nome “Queirós” transitado, também por esta via, para Boadela.
Actualmente o apelido “Queirós”, cujas longínquas origens remontam ao séc.IV e após ter passado por uma fase de progressiva expansão, figura em Boadela, tendo duas origens distintas: a que adveio de José Gonçalves de Queirós, e a que adveio do casamento de Vitorino Pereira.

4 comentários:

Anónimo disse...

Olá... gostei do artigo, principalmente porque sou um um dos netos do "José Gonçalves Queirós", de Boadela...

:)

Anónimo disse...

Ola...que surpresa,sou Olga Queirós Bastos bisneta de Vitorino Pereira e neta de Rosalina Pereira Queirós herdeira direta da casa do Barreiro de Boadela. Grande pesquisa parabens...

Anónimo disse...

iboa noite afinal a minha aldeia ten un istorial muito enportante.parabens pelo artigo.Gonçalves Antonio

José Menezes disse...

Estou a procurar as origens dos Queirós de Cerva, mais propriamente do lugar do Formozelos, onde já habitavam no início do séc. XVIII na chamada Casa dos Queirós. É curioso que a casa aparece também frequentemente referida como Casa de Quirós, o étimo de Queirós. Coincidência?

Consegui chegar a um Domingos Gonçalves de Queirós, proprietário e dono da referida casa e que nasceu necessariamente antes do ano de 1700, já que o seu filho e herdeiro, António Gonçalves de Queirós, casou em Cerva em 1723.
Contacte-me.

Cumprimentos
José Menezes
jmenezes29@gmail.com