quinta-feira, 31 de julho de 2008

A DIVISÃO DOS MONTES DE BOADELA

No século XIX as comunidades rurais começam a ser cada vez mais objecto de uma profunda transformação sócio-político-económica. O espírito individualista da época, a par do reforço dos poderes político-administrativos do Estado e Municípios, também aqui fez chegar as suas consequências. Neste contexto, são elucidativas as palavras de Alexandre Herculano: "A existência de baldios municipais, dos pastos comuns, é um dos mais graves embaraços ao progresso da agricultura entre nós" .
António Feliciano de Castilho (1848) havia dito acerca dos terrenos incultos: "enquanto houver terras devoluto, a dar cardos e urzes em lugar de trigo e azeite (…) enquanto não repartirdes esses braços por essas terras, e essas terras por esses braços...”, evidenciando a preocupação que era premente nesta época.
Este pensamento fisiocrático-liberal levou à produção da mais diversa legislação sobre os baldios, toda ela apontando para a sua desintegração: divisão dos baldios pelos moradores vizinhos, e transferência da administração dos baldios indivisos para as Câmaras Municipais. Boadela não foi excepção.
O presente documento, intitula-se “Divisão dos Montes de Boadela”. Na verdade, trata-se de um compêndio esquematizado, integrado por quatro documentos, nos três primeiros consta a divisão de três montes que até então pertenciam à comunidade, sendo eles: o Monte do Moledo, o Monte do Crastro, e o Monte das Mangaretas, e, finalmente é integrado por um documento último intitulado “Relação dos Montes de Boadela” no qual contam os titulares das fraccções (e respectivas delimitações). Em relação a cada monte, a cada uma das suas fracções foi atribuído um número.
O manuscrito, revela-nos que esta magna divisio fora feita em classes, sendo considerados como possuidores de 1.ª classe os possuidores de uma sorte no Moledo, e três sortes no Crasto e Mangaretas respectivamente. Os possuidores de 2.ª classe são igualmente possuidores de uma sorte no Moledo, mas apenas duas sortes no Crasto e Mangaretas. No que se refere aos possuidores de 3.ª classe estes são detentores de apenas uma sorte quer no Moledo, Crasto, ou Mangaretas. Quanto ao critério que presidiu esta classificação, permanece desconhecido.
A data de elaboração do manuscrito em causa é incógnita, apresentando-se esta bastante rasurado, sujo, e alvo de constantes sobreposições, tendo pequenos trechos ilegíveis. Não obstante, especula-se que tenha ocorrido mais ou menos por meados do séc. XIX.
O documento em causa teve, e ainda tem, força de lei, consubstanciando os “usos e costumes” da comunidade, facto que transitou até à actualidade. Apesar de muitas das parcelas em causa terem evoluído para terrenos aráveis, integrando parcelas diferenciadas, ainda hoje é possível ouvir alguns habitantes de Boadela dizer que possuem uma sorte de mato na serra do Moledo, ou que têm uma “borda” nos “Crastos”.
Embora as mutações de propriedade (subjectiva e objectivamente) desde o séc. XIX até aos dias de hoje terem sido muitas, fica aqui o testemunho de uma divisão sui generis num contexto próprio que sobreviveu ao tempo e à memória.



Relação dos Montes de Boadela



TitularesMoledoCrastoMangaretas
1. Domingos Barroso Pereiran.º 31n.º19,24,73n.º42,43,69
2. Manuel José Antunesn.º 3n.º14,47,46n.º17,18,19
3. Narciso José Gonçalvesn.º21n.º1,49,50n.º61,63,62
4. António Baptista Pereiran.º1n.º15,16n.º50,51
5. Manuel José Pereiran.º5 n.º21,62 n.º34,35
6. Bento Gonçalvesn.º14n.º11,63 n.º53,54
7. José Gonçalves (solteiro)n.º39 n.º17,28n.º72,14
8. Vicente de Camposn.º29n.º3,55 n.º11,58
9. Anna Vilella Pereira (viúva)n.º52n.º45,64n.º8,9
10. Francisco Vilella Pereiran.º6n.º10,54n.º5,70
11. Joaquim Henrique e irmãon.º38n.º5,56n.º46,47
12. D. Roza Ricardina Tavares (viúva)n.º28n.º7,26 n.º24,29
13. Manuel Joaquim Alvesn.º54n.º60n.º66
14. Felicidade Martinsn.º13n.º30n.º41
15. João Carvalhon.º10n.º42n.º7
16. Anna de Andraden.º35n.º52n.º2
17. Domingos Barrozon.º4n.º59n.º12
18. José Joaquim Esposton.º32n.º44n.º6
19. Domingos de Azevedon.º19n.º33n.º67
20. Maria Joaquina Alvesn.º20n.º36n.º1
21. Joaquim Fernandes Laijas n.º37n.º61n.º28
22. Maria Vilela e irmãon.º48n.º32n.º45
23. Joaquim Barrozo (solteiro)n.º30n.º12n.º39
24. António Joaquim Gonçalves Buquesn.º9n.º29n.º71
25. Cândida de Magalhães (solteira)n.º42n.º8n.º65
26. José de Souza (solteiro)n.º23n.º23n.º44
27. Roza Galega Villanovan.º40n.º57n.º13
28. Bento Gandarelan.º7n.º43n.º16
29. Tereza de Andrade (solteira)n.º22n.º40n.º43
30. Francisco José de Magalhãesn.º34n.º9n.º59
31. Angélica Gonçalves (solteira)n.º33n.º51n.º64
32. Joaquina de Sousa e irmãon.º24n.º27n.º32
33. João Alvesn.º25n.º15n.º60
34. Domingos Gonçalvesn.º55n.º58n.º49
35. José Leiten.º43n.º48n.º15
36. Justina Alvesn.º44n.º2n.º37
37. Tereza de Andrade (viúva)n.º49n.º67n.º3
38. José de Araújon.º45n.º41n.º10
39. Tereza Alves (da Ponte de Pé)n.º8n.º70n.º30
40. Tereza Joaquina Alvesn.º51n.º34n.º31
41. José Gonçalves Pereiran.º16n.º38n.º21
42. Maria Vilella Pereira (solteira)n.º41n.º35n.º20
43. Anna Joaquina (viúva)n.º17n.º22n.º26
44. António Leiten.º12n.º68n.º57
45. José Barrozon.º27n.º31n.º23
46. Manoel Barrozon.º53n.º37n.º27
47. Joaquim de Magalhãesn.º11n.º71n.º68
48. Domingos Alvesn.º47n.º53n.º56
49. Costódio Teixeiran.º15n.º66n.º38
50. José Barrozo Bouçan.º18n.º39n.º22
51. Manoel Gonçalvesn.º56n.º4n.º48
52. Tereza Gonçalvesn.º50n.º65n.º40
53. Domingos Pereira Ramosn.º2n.º6n.º25
54. Balthezar de Meirelles Leiten.º36n.º20n.º4
55. João António Fernandes Bastosn.º26n.º18n.º55
56. António Gonçalves Barroson.º57________
57. Maria Alves Brazileira____n.º69n.º36
58. Tereza Vilella Buques____n.º72___



MOLEDO

Divisão do Monte do Moledo pertencente ao lugar de Boadela, que elles, proprietários, concordam ser em partes iguais.

N.º1

No sítio de Outeiro das Cruzes. Nascente: 60m2 confronta com a divisão de Caves; Poente: 60m2 confronta com a tapada de Manuel Pereira de Leiradas; Norte: 140m2 confronta com o baldio de Leiradas e onde tem duas cruzes. Sul: 140m2 confrontam com o n.º2.

N.º2

No sítio de Outeiro das Cruzes. Nascente: 60m2 confrontam com a divisão de Cavês Poente: 60m2 confrontam com a tapada de Joaquim de Magalhães; Norte: 140m2 confrontam com o n.º1; Sul: 140m3 confrontam com o n.º 3.

N.º3

No sítio de Outeiro das Cruzes. Nascente: 60m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 60m2 confronta com a tapada de Joaquim de Magalhães; Norte: 140m2 confrontam com o n.º2; Sul: 140m2 confrontam com o n.º4.

N.º4

No sítio de Outeiro das Cruzes. Nascente: 60m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 60m2 confrontam com a tapada de Joaquim de Magalhães; Norte: 140m2 confrontam com o n.º3; Sul: 140m2 confrontam com o n.º5 m. q. (metros quadrados).

N.º5

No sítio das Regadas. Nascente: 40m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 60m2 confrontam com a tapada de Joaquim de Magalhães; Norte: 155m2 confrontam com o n.º4; Sul: 120m2 confrontam com o n.º5.

N.º6

No sítio das Regadas. Nascente: 60m2 confronta com a divisão de Cavês; Poente: 60m2 confrontam com a tapada de Joaquim de Magalhães; Norte: 120m2 confrontam com o n.º5. Sul: 120m2 confrontam com o n.º7.

N.º7

No sítio das Regadas. Nascente: 60m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 60m2 confrontam com a tapada de Joaquim de Magalhães; Norte: 120m2 confrontam com o n.º6; Sul: 120m2 confrontam com o n.º8.

N.º8

No sítio das Regadas. Nascente: 60m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 60m2 confrontam com a tapada de Joaquim de Magalhães; Norte: 120m2 confrontam com o n.º7; Sul: 120m2 confrontam com o n.º9. Esta sorte tem cinco ou seis vides com outras tantas árvores de pequeno valor pertencentes a Custódio Teixeira.

N.º9

No sítio das Regadas. Nascente: 60m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 50m2 confrontam com a tapada de Joaquim de Magalhães; Norte: 140m2 confronta com o n.º9; Sul: 145m2 confrontam com o n.º10.

N.º10

No sítio das Regadas. Nascente: 60m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 60m2 confrontam com a tapada de Joaquim de Magalhães, Norte: 145m2 confrontam com o n.º9; Sul: 170m2 confrontam com o n.º11.

N.º11

No sítio das Regadas. Nascente: 60m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 50m2 confrontam com a tapada de Joaquim de Magalhães; Norte: 110m2 confrontam com o n.º10; Sul 130 m2 confrontam com o n.º12.

N.º12

No sítio da Terroeiras. Nascente: 60m2 confrontam com a divisão de Cavês. Poente: 50m2 confrontam com a tapada de Manuel José de Magalhães; Norte: 160m2 confronta com o n.11; Sul: 110m2 confrontam com o n.º13.

N.13

No sítio das Terroeiras. Nascente: 80m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 50m2 confrontam com a tapada de Manuel José de Magalhães; Norte: 110m2 confrontam com o n.º12; Sul: 160m2 confrontam com o n.º14.

N.º14

No sítio das Terroeiras. Nascente: 50m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 60m2 confrontam com a tapada de Manuel José de Magalhães; Norte: 160m2 confronta com o n.º13; Sul: 160m2 confrontam com o n.º15.

N.º15

No sítio das Terroeiras. Nascente: 40m2 confrontam a divisão de Cavês; Poente: 60m2 confronta com a tapada de Domingos Barrozo; Norte: 110m2 confrontam como n.º14; Sul: 110m2 confrontam com o n.º16.


N.º16

No sítio das Terroeiras. Nascente: 40m2 confrontam com a divisão de Cavês. Poente: 50m2 confrontam com a tapada de Domingos Barrozo; Norte: 190m2 confrontam com o n.º15; Sul: 190m2 confrontam com o n.º17.

N.º17

No sítio das Terroeiras. Nascente: 40m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 50m2 confrontam com a tapada de Domingos Barrozo; Norte: 190m2 confrontam com o n.º16; Sul: 190m2 confronta com o n.º18.

N.º18

No sítio das Terroeiras. Nascente: 40m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 40m2 confrontam com a tapada de Domingos Barrozo; Norte: 190m2 confronta com o n.º17; Sul: 190m2 confronta o n.º19.

N.º19

No sítio das Terroeiras. Nascente: 40m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 40m2 confrontam com a tapada de Domingos Barrozo; Norte: 200m2 confrontam com o n.º18; Sul: 200m2 confrontam com o n.º20.

N.º20

No sítio das Terroeiras. Nascente: 40m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 40m2 confrontam com a tapada de Domingos Barrozo; Norte: 200m2 confronta com o n.º19; Sul: 225m2 confrontam com o n.º21.

N.º21

No sítio de Campelo. Nascente: 25m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 20m2 confrontam com a tapada de Domingos Barrozo; Norte: 350m2 confrontam com o n.º20; Sul.350m2 confrontam com o n.º22.

N.º22

No sítio de Campelo. Nascente: 25m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 20m2 confrontam com a tapada de Domingos Barroso. Norte: 350m2 confrontam com o n.º21; Sul: 350m2 confrontam com o n.º23.

N.º23

No sítio de Campelo. Nascente: 25m2 confronta com a divisão de Cavês; Poente: 16m2 confronta com a tapada de Domingos Barroso; Norte: 350m2 confrontam com o n.º22; Sul: 360m2 confrontam com o n.º24.

N.º24

No sítio de Campelo. Nascente: 25m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 25m2 confrontam com a tapada de Domingos Barroso. Norte: 360m2 confrontam comn.º23; Sul: 365m2 confrontam com o n.º25.

N.º25

No sítio de Campelo. Nascente: 25 m2 confrontam com a divisão de Cavês, Poente: 16m2 confrontam com a tapada de Domingos Barroso; Norte: 45m2 confrontam com o n.º24; Sul: 380m2 confronta com o n.º26.

N.º26

No sítio de Campelo. Nascente: 25m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 16m2 confronta com a tapada de Domingos Barroso; Norte: 380m2 confrontam com o n.º25; Sul: 400m2 confrontam com o n.º27.

N.º27

No sítio de Campelo. Nascente: 25m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 16m2 confrontam com a tapada de Domingos Barroso; Norte: 400m2 confrontam com o n.º26; Sul: 400m2 confrontam com o n.º28.

N.º28

No sítio de Campelo. Nascente: 25m2 confronta com a divisão de Cavês; Poente: 18m2 confronta com a tapada de Domingos Barroso; Norte: 400m2 confrontam com o n.º27; Sul: 400m2 confrontam com o n.º29.

N.º29

No sítio de Campelo. Nascente: 25m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 16m2 que confrontam com a tapada de Domingos Barroso; Norte: 400m2 confrontam com o n.º28; Sul: 400m2 confrontam com o n.º30.

N.º30

No sítio de Campelo. Nascente: 25m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 16m2 confrontam com a tapada de Domingos Barroso; Norte: 400m2 confrontam com o n.º29; Sul: 400m2 confrontam com o n.º31.

N.º31

No sítio de Campelo. Nascente: 25m2 confrontam coma divisão de Cavês. Poente: 18m2 confrontam com a tapada de Domingos Barroso. Norte: 400m2 confrontam com o n.º30; Sul. 420m2 confrontam com o n.º32.

N.º32

No sítio de Campelo. Nascente: 25m2 confronta com a divisão de Cavês; Poente: 16m2 confrontam com a tapada de Domingos Barroso; Norte: 420m2 confrontam com on.º31; Sul: 420m2 confrontam com o n.º33.

N.º33

No sítio de Campelo. Nascente: 25m2 confronta com a divisão de Cavês; Poente: 16 confronta com a tapada de Domingos Barroso; Norte: 420m2 confronta com o n.º32; Sul: 430m2 confronta com o n.º34.

N.º34

No sítio de Campelo. Nascente: 25m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 16m2 confrontam com a tapada de Domingos Barroso; Norte: 430m2 confronta com o n.º33; Sul: 430m2 confronta com o n.º35.

N.º35

No sítio de Campelo. Nascente: 25m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 18m2 confronta com a tapada de Domingos Barroso, Norte: 430m2 confrontam com o n.º34; Sul: 450m2 confrontam com o n.º36.

N.º36

No sítio de Campelo. Nascente: 25m2 confronta com a divisão de Cavês; Poente: 16m2 confronta com a tapada de Domingos Barroso, Norte: 450m2 confronta com o n.º35; Sul: 450m2 confronta com o n.º37.

N.º 37

No sítio de Campelo. Nascente: 25m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 18m2 confronta com a tapada de Domingos Barroso; Norte: 450m2 confronta com o n.º36; Sul: 450m2 confronta com o n.º38.

N.º38

No sítio de Campelo. Nascente: 25m2 confronta com a divisão de Cavês; Poente: 18m2 confronta com a tapada de António Barroso de Gosteliberne*; Norte: 450m2 confrontam com o n.º37: Sul: 450m2 confronta com o Ribeiro de Val Escuro.

N.º39

No sítio do Moledo. Nascente: 30m2 confronta com a divisão de Cavês; Poente: 25m2 confronta com o n.º57; Norte: 450m2 confronta com o Ribeiro de Val Escuro; Sul: 450m2 confrontam com o n.º40.

N.º40

No sítio do Moledo. Nascente: 22m2 confronta com a divisão de Cavês. Poente: 25m2 confronta com o n.º 57; Norte: 450m2 confronta com o n.º39; Sul: 450m2 confronta com o n.º41.

N.º41

No sítio do Moledo. Nascente: 22m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 25m2 confronta com o n.º57; Norte: 450m2 confrontam com o n.º40; Sul: 450m2 confrontam com o n.º42.

N.º42

No sítio do Moledo. Nascente: 22m2 confronta com a divisão de Cavês; Poente: 25m2 confronta com o n.º57; Norte: 450m2 confrontam com o n.º41; Sul: 450m2 confrontam com o n.º43.

N.º43

No sítio do Moledo. Nascente: 22m2 confronta com a divisão de Cavês; Poente: 25m2 confrontam com a tapada de Narciso José Gonçalves. Norte: 450m2 confronta com o n.º42; Sul. 450m2 confronta com o n.º44.

N.º44

No sítio do Moledo. Nascente: 22m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 25m2 confrontam com a tapada de Narciso José Gonçalves; Norte: 450m2 confrontam com o n.º43; Sul: 450m2 confrontam com o n.º45.

N.º45

No sítio do Moledo. Nascente: 22m2 confrontam com a divisão de Cavês. Poente: 25m2 confrontam com a tapada de Narciso José Gonçalves; Norte: 450m2 confrontam com o n.º44; Sul: 450m2 confrontam com o n.º46.

N.º46

No sítio do Moledo. Nascente: 22m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 25m2 confrontam com a tapada de Narciso José Gonçalves; Norte: 500m2 confrontam com o n.º45; Sul: 500m2 confrontam com 0 n.º47.

N.º47

No sítio do Moledo. Nascente: 26m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 25m2 confrontam com a tapada de Narciso José Gonçalves; Norte: 400m2 confrontam com o n.º46; 500m2 confrontam com o n.º48.

N.º48

No sítio do Moledo. Nascente: 24m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 25m2 confrontam com a tapada de Narciso José Gonçalves; Norte: 500m2 confrontam com o n.º47; Sul: 500m2 confrontam com o n.º49.

N.º49

No sítio do Moledo. Nascente: 20m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 25m2 confrontam com a tapada de Narciso José Gonçalves; Norte: 500m2 confrontam com o n.º48; Sul: 500m2 confrontam com o n.º50.

N.º50

No sítio do Moledo. Nascente: 20m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 45m2 confrontam com a tapada de Narciso José Gonçalves; Norte: 500m2 confrontam com o n.º49; Sul: 500m2 confrontam com o n.º51.



N.º51

No sítio do Moledo. Nascente: 20m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 25m2 confrontam com a tapada de Narciso José Gonçalves; Norte: 500m2 confrontam com o n.º50; Sul: 500m confrontam com o n.º51.

N.º52

No sítio do Moledo. Nascente: 30m confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 25m2 confrontam com a tapada de Narciso José Gonçalves; Norte: 500m2 confrontam com o n.º51; Sul: 500m2 confrontam com o n.º53.

N.º53

No sítio do Moledo. Nascente: 20m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 30m2 confrontam com a tapada de Narciso José Gonçalves; Norte: 500m2 confrontam com o n.º52. Sul. 50Om2 confrontam com o n.º54.

N.º54

No sítio do Moledo. Nascente: 25m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 30m2 confrontam com a tapada de Narciso José Gonçalves; Norte: 500m2 confrontam com o n.º53; Sul: 500m2 confrontam com o n.º55.

N.º55

No sítio do Moledo. Nascente: 21m2 confrontam com a divisão de Cavês; Poente: 30m2 confrontam com a tapada de Narciso José Gonçalves; Norte: 500m2 confrontam com o n.º54; Sul: 500m2 confrontam com o n.º56.

N.º56

No sítio do Moledo. Nascente: 22m2 confronta com a divisão de Cavês; Poente: 30m2 confrontam com a tapada de Narciso José Gonçalves; Norte: 500m2 confronta com o n.º54; Sul: 500 confronta com o n.º56.

N.º57

No sítio de Val Escuro. Nascente: ponta aguda; Poente: 210m2 confrontam com a tapada de António Barroso de Gosteliberne*; Norte: 140m2 confrontam com os n.º 36º, 37º e 38º; Sul: 140m2 confrontam com os n.º: 39, 40, 41 e 42.


Aqui finda a divisão do Moledo que ficou em partes iguais, e algumas que ficarão maiores em razão do mau terreno.

José Marques Correia Soares

Louvação daqui a dois dias: João Vilela Andrade
José Pereira Fernandes


CRASTO

Divisão do Monte do Crasto, pertencentes aos moradores de Boadela, dividido em três classes segundo deliberação dos mesmos pertencentes.

N.º1

(Esta sorte tem oliveiras de Narciso José Gonçalves)
No sítio das Regadinhas. Nascente: 40m2 confrontam com a estrada pública que vai para Cavês; Poente; 40m2 confrontam com a tapada de Manuel Antunes; Norte: 140m2 confrontam com o n.º20; Sul: 140m2 confrontam com a tapada de Narciso José Gonçalves.

N.º2

No sítio das Regadinhas. Nascente: 40m2 confrontam com a estrada pública que vai para Cavês; Poente: 40m2 confronta com a tapada de Narciso José Gonçalves; Norte: 140m2 confrontam com o n.º3; Sul: 140m2 confronta com o n.º1.

N.º3

No sítio das Regadinhas. Nascente: 40m2 confrontam com a estrada pública que vai para Cavês; Poente: 40m2 confronta com o caminho público; Norte: 140m2 confronta com o n.º4. Sul: 140m2 confronta com o n.º2.

N.º4

No sítio das Regadinhas. Nascente: 40m2 confronta com a estrada pública que vai para Cavês; Poente: 40m2 confronta com o caminho público; Norte: 140m2 confronta com o n.º5; Sul: 140m2 confronta com o n.º3.

N.º5

No sítio das Regadinhas. Nascente: 25m2 confronta com a estrada que vai para Cavês; Poente: 25m2 confronta com a tapada de Domingos Barroso; Norte: 260m2 confrontam com o n.º6; Sul: 260m2 confronta com o n.º4.

N.º6

No sítio das Regadinhas. Nascente: 25m2 confrontam com a estrada pública que vai para Cavês; Poente: 25m2 confronta com tapada de Domingos Barroso; Norte: 260m2 confronta com o n.º7; Sul: 260m2 confronta com o n.º5.

N.º7

No sítio das Regadinhas. Nascente: 25m2 confronta com a estrada pública que vai para Cavês, Poente: 25m2 confronta com a tapada de Domingos Barroso; Norte: 260m2 confrontam com o n.º8; Sul: 260m2 confronta com o n.º6.

N.º8

No sítio das Regadinhas. Nascente: 25m2 confronta com a estrada que vai para Cavês; Poente: 25m2 confronta com a tapada de Domingos Barroso; Norte. 260m2 confronta com o n.º9; Sul: 260m2 confrontam com o n.º7.

N.º9

No sítio das Lameirinhas (Sorte com oliveiras pertencentes a Francisco Laranjeira). Nascente: 25m2 confronta com a estrada que vai para Cavês; Poente: 25m2 confronta com a tapada de Domingos Barroso; Norte: 260m2 confrontam com o n.º10; Sul: 260m2 confrontam com o n.º8.

N.º10

No sítio das Lameirinhas. Nascente: 25m2 confrontam com a estrada que vai para Cavês; Poente: 25m2 confrontam com a tapada de Manuel Antunes Pereira; Norte: 260m2 confronta com a tapada de Francisco Laranjeira e com o n.º11; Sul: 260m2 confronta com o n.º9.

N.º11

No sítio das Lameirinhas. Nascente: 35m2 confrontam com a tapada de Francisco Laranjeira; Poente: 35m2 confronta com a tapada de Manuel Antunes Pereira; Norte: 160m2 confronta com o n.º12; Sul: 160m2 confronta com o n.º10.

N.º12

No sítio das Lameirinhas (Sorte com oliveiras pertencentes a Joaquim Barroso). Nascente: 35m2 confrontam com a tapada de Francisco Laranjeira; Poente: 35m2 confronta com a tapada de Manuel Antunes Pereira; Norte: 160m2 confronta com o n.º13, Sul: 160m2 confronta com o n.º11.

N.º13

No sítio das Lameirinhas (sorte com oliveiras pertencentes a Joaquim Barroso). Nascente: 35m2 confronta com a tapada de Vicente de Campos; Poente: 35m2 confronta com a tapada de Manuel Antunes Pereira; Norte: 160m2 confronta com o n.º14; Sul: 160m2 confronta com o n.º12.

N.º14

No sítio das Lameirinhas. Nascente: 35m2 confrontam com a tapada de Vicente de Campos; Poente: 35m2 confronta com a tapada de Manuel Antunes Barroso, Norte. 180m2 confronta com o n.º15; Sul. 180m2 confronta com o n.º13. (Esta sorte tem oliveiras de António Baptista).

N.º15

No sítio das Lameirinhas. Nascente: 35m2 confronta com a tapada de Vicente de Campos; Poente: 35m2 confronta com a tapada de Manuel Antunes; Norte: 160m2 confronta com o n.º16; Sul: 160m2 confronta com 14.

N.º16

No sítio das Lameirinhas. Nascente: 60m2 confronta com a tapada de António Baptista; Poente: 60m2 confronta com a tapada de Manuel Antunes; Norte: 140m2 confronta com o n.º17; Sul: 180m2 confronta como n.º15.

N.º17

No sítio de Corga do Burro (olival de António Baptista). Nascente: 45m2 confronta com a tapada de António Baptista; Poente: 45m2 confronta com a tapada de Domingos Barroso; Norte: 140m2 confronta com o n.º18; Sul. 140m2 confronta com o n.º16.

N.º18

No sítio d’ Oliveira do Alto. Nascente: 45m2 confronta com a tapada de António Baptista; Poente: 45m2 confronta com o n.º19; Norte: 140m2 confronta com on.º20; Sul: 140m2 confronta com o n.º17.

N.º19

No sítio de Carvalhas d’Oliveira do Alto (sorte com carvalhas e oliveiras pertencentes a Domingos Barroso). Nascente: 200m2 confrontam com o n.º20 e 21; Poente: 200m2 confrontam com a tapada de Domingos Barroso; Norte: 66m2 confrontam com a tapada de António Baptista Pereira; Sul: 10m2 confronta com o n.º17.

N.º20

No sítio de Oliveira do Alto. Nascente. 40m2 confrontam com o n.º22, Poente: 40m2 confronta com o n.º19; Norte: 200m2 confrontam com o n.º21; Sul: 180m2 confronta com o n.º16.

N.º21

No sítio de Oliveira do Alto. Nascente: 40m2 confronta com o n.º22; Poente: 45m2 confronta com o n.º19; Norte: 200m2 confronta com o n.º23; Sul: 200m2 confronta com o n.º20.

N.º22

No sítio de Oliveira do Alto. Nascente: 100m2 confrontam com a tapada de Domingos Barroso; 60m2 confronta com os n.º 20 e 21; Norte: 110m2 confronta com a tapada de Anna Martins; Sul: 110m2 confronta com a tapada de António Baptista Pereira.

N.º23

No sítio da Corga Grande. Nascente: 50m2 confronta com a tapada de Anna Martins; Poente: 60m2 confronta com o caminho que vai para as Regadas. Norte: 120m2 confrontam com o n.º24; Sul: 120m2 confronta com o n.º21.

N.º24
No sítio da Corga Grande. Nascente: 50m2 confronta com a tapada de Anna Martins; Poente: 50m2 confrontam com o caminho que vai para as Regadas; Norte: 130m2 confronta com o n.º25; Sul: 125m2 confronta com o n.º23.

N.º25

No sítio da Corga Grande. Nascente: 50m2 confronta com o caminho da Corga Grande. Poente: 50m2 confronta com o caminho que vai para as Regadas; Norte: 140m2 confronta com o n.º26; Sul: 130m2 confronta com o n.º24.

N.º26

No sítio da Corga Grande. Nascente: 50m2 confronta com o caminho da Corga Grande; Poente: 50m2 confronta com o caminho que vai para a Regadas; Norte: 200m2 confronta com o n.º27; Sul: 200m2 confronta com o n.º25.

N.º27

No sítio da Corga Grande. Nascente: 50m confronta com o caminho da Corga Grande; Poente: 50m2 confrontam com o caminho que vai para o Monte; Norte: 200 m2 confronta com a tapada de Manoel Joaquim Alves e com o n.º28; Sul: 200 m2 confrontam com o n.º26.

N.º28

No sítio de Carvalha do Roço. Nascente: 100 m2 confrontam com a tapada de José Gonçalves; Poente: 60 m2 confronta com a tapada de Manoel Joaquim Alves; Norte: 60 m2 confronta com o n.º36; Sul: 140 m2 confronta com o n.º27.

N.º29

No sítio de Oliveira do Alto. Nascente: 50m2 confrontam com o caminho que vai para as Regadas; Poente: 50 m2 confronta com a tapada de Domingos Barroso; Norte: 180 m2 confronta com o n.º30; Sul: 180 m2 confronta com o n.º19.

N.º30

No sítio de Oliveira do Alto. Nascente: 50 m2 confronta com o caminho que vai para as Regadas, Poente: 50 m2 confronta com a tapada de Domingos Barroso; Norte: 180 m2 confronta com o n.º31; Sul: 180 m2 confronta com o n.º29.

N.º31

No sítio de Oliveira do Alto. Nascente: 50 m2 confronta com caminho que vai para as Regadas; Poente: 50 m2 confronta com a tapada de Domingos Barroso; Norte: 100 m2 confronta com o n.º32; Sul: 160 m2 confrontam com o n.º30.

N.º32

No sítio das Lamarelhas. Nascente: 40 m2 confronta com o caminho que vai para as Regadas; Poente: 40 m2 confronta com a tapada de Domingos Barroso; Norte: 200 m2 confrontam com o n.º33; Sul: 200 m2 confrontam com o n.º31.

N.º33

No sítio das Lamarelhas. Nascente: 40 m2 confrontam com o caminho que vai para as Regadas; Poente: 40 m2 confrontam com o foramento* de Domingos Barroso; Norte: 200 m2 confrontam com o n.º34, Sul: 200 m2 confrontam com o n.º 32.

N.º34

No sítio das Lamarelhas. Nascente: 40 m2 confronta com o caminho que vai para as Regadas; Poente: 40 m2 confronta com o foramento de Domingos Barroso. Norte: 200 m2 confronta com o n.º35; Sul. 200 m2 confronta com o n.º33.

N.º35

No sítio do Crasto. Nascente: 40 m2 confronta com o caminho que vai para as Regadas; Poente: 40 m2 confronta com o foramento de Domingos Barroso; Norte: 200 m2 confrontam com o n.º… (36); Sul: 200 m2 confrontam com o n.º34.

N.º36

No sítio da Carvalha do Roço. Nascente: 30 m2 confrontam com a tapada de José Gonçalves; Poente: 30 m2 confrontam com o n.º55; Norte: 200 m2 confrontam com o n.º37; Sul: 200 m2 confrontam com a tapada de Manoel Joaquim Alves.

N.º37

No sítio da Carvalha de Roço. Nascente: 30 m2 confronta com a tapada de José Gonçalves; Poente: 30 m2 confronta com o n.º56; Norte: 200 m2 confrontam com o n.º38; Sul: 200 m2 confrontam com o n.º36.

N.º38

No sítio de Carvalha do Roço. Nascente: 30 m2 confronta com o caminho que vai para as Regadas; Poente: 30 m2 confronta com o n.º57; Norte: 200 m2 confronta com o n.º39; Sul: 200 m2 confronta com o n.º37.

N.º39

No sítio de Carvalha de Roço. Nascente: 30 m2 confronta com o caminho que vai para as Regadas; Poente: 30 m2 confronta com o n.º58; Norte: 200 m2 confrontam com o n.º40; Sul; 200 m2 confrontam com o n.º38.

N.º40

No sítio das Cantarinhas. Nascente: 30 m2 confronta com o caminho que vai para as Regadas; Poente: 30 m2 confronta com o n.º59; Norte: 200 m2 confrontam com o n.º41; Sul: 200 m2 confrontam com o n.º39.

N.º41

No sítio das Cantarinhas. Nascente: 40 m2 confronta com o caminho que vai para as Regadas; Poente: 30 m2 confrontam com o n.º60. Norte: 250 m2 confrontam com o n.º42; Sul: 200 m2 confrontam com o n.º40.

N.º42

No sítio das Cantarinhas. Nascente: 30 m2 confrontam com o caminho que vai para as Regadas; Poente: 30 m2 confrontam com o n.º61; Norte: 250 m2 confronta com o n.º43; Sul: 250 m2 confrontam com o n.º41.

N.º43

No sítio das Cantarinhas. Nascente: 30 m2 confronta com o caminho que vai para as Regadas; Poente: 30 m2 confrontam com o n.º62; Norte: 250 m2 confrontam com o n.º44; Sul: 250 m2 confrontam com o n.º43. (Esta sorte tem carvalhas pertencentes a Francisco Laranjeira).

N.º44

No sítio das Cantarinhas. Nascente: 30 m2 confronta com o caminho que vai para as Regadas; Poente: 30 m2 confronta com o n.º63; Norte: 250 m2 confrontam com o n.º46; Sul: 250 m2 confrontam com o n.º43.

N.º 45

No sítio das Quelhas, nas Terroeiras. Nascente: 40 m2 confrontam com a tapada de Domingos Barroso; Poente: 60 m2 confrontam com o caminho que vai para as Terroeias; Norte: 118 m2 confrontam com a tapada de Manoel José; Sul: 118 m2 confrontam com as tapadas de Domingos Barroso e José Gonçalves.

N.º46

No sítio das Cantarinhas. Nascente: 30 m2 confrontam com o caminho que vai para as Terroeiras. Poente: 30 m2 confrontam com o n.º64; Norte: 250 m2 confrontam com o n.º47; Sul: 250 m2 confrontam com o n.º44.

N.º47

No sítio das Cantarinhas. Nascente: 30 m2 confronta com o caminho que vai para as Terroeiras; Poente: 30 m2 confronta com o n.º65; Norte: 250 m2 confrontam com o n.º38; Sul: 250 m2 confrontam com o n.º38*; Sul: 250 m2 confrontam com o n.º46.

N.º48

No sítio das Cantarinhas. Nascente: 30 m2 confronta com o caminho que vai para as Terroeiras; Poente: 30 m2 confrontam com o n.º66; Norte: 250 m2 confrontam com o n.º49; Sul: 250 m2 confrontam com o n.º47.

N.º49

No sítio das Cantarinhas. Nascente: 30 m2 confronta com o caminho que vai para as Terroeiras; Poente: 30 m2 confronta com o n.º67. Norte: 250 m2 confronta com o n.º50; Sul: 250 m2 confrontam com o n.º48.

N.º50

No sítio das Cantarinhas. Nascente: 30 m2 confronta com o caminho que vai para as Terroeiras. Poente: 30 m2 confronta com o n.º68. Norte: 250 m2 confronta com o n.º51; Sul: 250 m2 confrontam com o n.º49.

N.º51

No sítio das Cantarinhas. Nascente: 30 m2 confronta com o caminho que vai para as Terroeiras; Poente: 30 m2 confronta com o n.º69; Norte: 250 m2 confronta com o n.º52; Sul: 250 m2 confronta com o n.º50.

N.º52

No sítio das Cantarinhas. Nascente: 33 m2 confronta com o caminho que vai para as Terroeiras; Poente: 30 m2 confronta com o n.º70; Norte: 250 m2 confrontam com propriedades de Leiradas; Sul: 250 m2 confrontam com o n.º51.

N.º53

No sítio do Crasto. Nascente: 60 m2 confronta com a tapada de Manoel Joaquim Alves; Poente: 10 m2 confronta com o foramento* de Domingos Barroso; Norte: 240 m2 confrontam com o n.º54; Sul. 240 m2 confrontam com o n.º35.

N.º54

No sítio do Crasto. Nascente: 38 m2 confronta com a tapada de Manoel Joaquim Alves; Poente: 20 m2 confronta com o foramento de Domingos Barroso; Norte: 240 m2 confrontam com o n.º55; Sul: 240 m2 confrontam com o n.º53.

N.º55

No sítio do Crasto. Nascente: 30 m2 confronta com o n.º36; Poente: 30 m2 confrontam com foramento de Domingos Barroso; Norte: 240 m2 confrontam com o n.º56; Sul: 240 m2 confrontam com o n.º54.

N.º56

No sítio do Crasto. Nascente: 30 m2 confronta com o n.º71. Poente: 30 m2 confronta com o foramento de Domingos Barroso; Norte: 240 m2 confrontam com o n.º57; Sul: 240 m2 confrontam com o n.º55.

N.º57

No sítio do Crasto. Nascente: 30 m2 confronta com o n.º38. Poente: 30 m2 confronta com o n.º75; Norte: 240 m2 confrontam com o n.º58; Sul: 240 m2 confrontam com o n.º56.

N.º58

No sítio do Crasto. Nascente: 30 m2 confrontam com o n.º39; Poente: 30 m2 confronta com o n.º73; Norte: 240 m2 confrontam com o n.º59. Sul. 240 m2 confrontam com o n.º57. ( Esta sorte tem carvalhas de Francisco Laranjeira).

N.º59

No sítio do Crasto. Nascente: 30 m2 confronta com o n.º40; Poente: 30 m2 confronta com o n.º73; Norte: 240 m2 confrontam com o n.º60; Sul. 240 m2 confrontam com o n.º58.

N.º60

No sítio do Crasto. Nascente: 30 m2 confronta com o n.º42; Poente: 30 m2 confronta com o n.º73; Norte: 240 m2 confrontam com o n.º61; Sul: 240 m2 confrontam com o n.º59.

N.º61

No sítio do Crasto. Nascente: 30 m2 confronta com o n.º42; Poente: 30 m2 confronta com a estrada; Norte: 240 m2 confronta com o n.º62. Sul: 240 m2 confrontam com o n.º61.

N.º62

No sítio do Crasto. Nascente: 30 m2 confronta com o n.º43; Poente: 30 m2 confronta com a divisão de Cavês; Norte: 240 m2 confronta com o n.º63; Sul: 240 m2 confrontam com o n.º61.

N.º63

No sítio do Crasto. Nascente: 30 m2 confronta com o n.º44; Poente: 30 m2 confronta com a divisão de Leiradas; Norte: 240 m2 confrontam com 0 n.º64; Sul. 240 m2 confrontam com o n.º62.

N.º64

No sítio do Crasto. Nascente: 30 m2 confrontam com o n.º46; Poente: 30 m2 confronta com a divisão de Leiradas; Norte: 240 m2 confrontam com o n.º65; Sul: 240 m2 confrontam com o n.º63.

N.º65

No sítio do Crasto. Nascente: 30 m2 confronta com o n.º47; Poente: 30 m2 confronta com a divisão de Leiradas; Norte: 240 m2 confrontam com o n.º66; Sul: 240 m2 confrontam com o n.º64.

N.º66

No sítio do Crasto. Nascente: 30 m2 confronta com o n.º48; Poente: 30 m2 confronta com a divisão de Leiradas; Norte: 240 m2 confrontam com o n.º67, Sul: 240 m2 confrontam com o n.º65.

N.º67

No sítio do Crasto. Nascente: 30 m2 confronta com n.º49; Poente: 35 m2 confronta com a divisão de Leiradas; Norte: 240 m2 confrontam com o n.º68; Sul: 240 m2 confrontam com o n.º66.

N.º68

No sítio do Crasto. Nascente: 30 m2 confronta com o n.º50; Poente: 35 m2 confronta com a divisão de Leiradas; Norte: 200 m2 confronta com o n.º69; Sul: 240 m2 confrontam com o n.º67.

N.º69

No sítio do Crasto. Nascente: 30 m2 confronta com o n.º51; Poente: 35 m2 confrontam com a divisão de Leiradas; Norte: 160 m2 confronta com o n.º70; Sul: 200 m2 confrontam com o n.º68.

N.º70

No sítio do Crasto. Nascente: 30 m2 confronta com o n.º52; Poente: 90 m2 confronta com a divisão de Leiradas; Norte: 60 m2 confrontam com propriedades de Leiradas; Sul: 160 m2 confrontam com o n.º69.

N.º71

No sítio do Muro. Nascente: 100 m2 confronta com o n.º72; Poente: 60 m2 confrontam com as propriedades de Leiradas; Norte: 110 m2 confrontam com o Monte de Leiradas; Sul: 110 m2 confrontam com a tapada de Joaquim de Magalhães.

N.º72

No sítio do Muro. Nascente: 100 m2 confronta com propriedades de Leiradas; Poente: 100 m2 confronta com o n.º71; Norte: 100 m2 confrontam com o Monte de Leiradas; Sul: 100 m2 confrontam com a tapada de Joaquim de Magalhães.

N.º73

No sítio de Fora da Bouça. Nascente: 180 m2 confronta com os n.º: 57, 58, 59, 60, 61. Poente: 50 m2 confronta com Manoel Magalhães Alves; Norte: 260 m2 confrontam com a estrada que vai para o Arco; Sul: 260 m2 confronta com a tapada de Domingos Barroso.


Louvação aqui a dois dias: João Vilela Andrade
João Pereira Fernandes




MANGARETAS



Divisão do Monte das Mangaretas pertencente aos moradores de Boadela, dividido em três classes, por elles assim o quererem.

N.º1

No sítio das Ribadas. Nascente: 60 m2 confronta com a tapada de Narciso José Gonçalves. Poente: 70 m2 confronta com a divisão de Pedraça; Norte: 60 m2 confronta com o n.º2; Sul: 57 m2 confronta com o caminho de Olteiro.

N.º2

No sítio das Ribadas. Nascente: 60 m2 confrontam com a tapada de Narciso José Gonçalves; Poente: 60 m2 confrontam com a divisão de Pedraça; Norte: 60 m2 confrontam com o n.º3; Sul: 60 m2 confrontam com o n.º1.

N.º3

No sítio das Ribadas (olival pertencente a João de Andrade). Nascente: 60 m2 confronta com a tapada de Narciso José Gonçalves; Poente: 68 m2 confronta com a divisão de Pedraça; Norte: 60 m2 confronta com o n.º4; Sul: 60 m2 confronta com o n.º2.

N.º4

No sítio das Ribadas. Nascente: confronta com a tapada de Ballteses de Meirelles Leite. Poente: 60 m2 confronta com a divisão de Pedraça; Norte: 65 m2 confronta com o n.º5; Sul: 60 m2 confronta com o n.º3.

N.º5

No sítio das Ribadas. Nascente: 60 m2 confronta com a propriedade de Francisco Laranjeira; Poente: 60 m2 confronta com a estrada que vai para o Arco; Norte: 76 m2 confrontam com a propriedade de Francisco Laranjeira; Sul: 65 m2 confronta com o n.º4.

N.º6

No sítio da Felgueira. Nascente: 138 m2 confrontam com a estrada que vai para o Arco, Poente: 60 m2 confronta com o n.º7; Norte: 140 m2 confronta com a tapada de Manoel Pereira Marchante; Sul: 160 m2 confronta com a divisão de Pedraça.

N.º7

No sítio da Bouça. Nascente: 132 m2 confronta com a tapada de Manoel Pereira do Arco e com a de Domingos Barroso; Poente: 132 m2 confronta com a divisão de Pedraça; Norte: Ponta Aguda; Sul: 60 m2 confronta com o n.º6.

N.º8
No sítio do Corgo do Freixo. Nascente: 80 m2 confronta com a propriedade de Joaquim Henriques. Poente: 80 m2 confronta com a divisão de Pedraça; Norte: 120 m2 confrontam com a propriedade de Manoel José; Sul: 96 m2 confrontam com o Olival de João António do Mosteiro.

N.º9

No sítio de Cabeça de Silveira. Nascente: 23 m2 confronta com a propriedade de Vicente de Campos; Poente: 80 m2 confrontam com a divisão de Pedraça; Norte: 52 m2 confrontam com o n.º10; Sul: 80 m2 confrontam com a propriedade de Vicente de Campos.

N.º10

No sítio de Cabeça de Silveira. Nascente: 40 m2 confronta com a propriedade de Vicente de Campos; Poente: 40 m2 confronta com a divisão de Pedraça; Norte: 55 m2 confronta com o n.º11; Sul: 52 m2 confronta com o n.º9.

N.º11

No sítio de Cabeça de Silveira. Nascente: 55 m2 confronta com a propriedade de Vicente de Campos; Poente: 30 m2 confronta com a divisão de Pedraça; Norte: 120 m2 confrontam com o n.º12; Sul: 155 m2 confrontam com o n.º10.

N.º12

No sítio de Cabeça de Silveira. Nascente: 25 m2 confronta com a tapada de José Gonçalves e com a propriedade de Manoel José Antunes; Poente: 25 m2 confronta com a divisão de Pedraça; Norte: 172 m2 confrontam com o n.º13; Sul: 120 m2 confrontam com o n.º11.

N.º13

No sítio de Cabeça de Silveira. Nascente: 25 m2 confrontam com a propriedade de Antunes; Poente: 25 m2 confronta com a divisão de Pedraça; Norte: 172 m2 confrontam com o n.º14, Sul: 172 m2 confrontam com o n.º12.

N.º14

No sítio de Cabeça de Silveira. Nascente: 20 m2 confronta com a tapada de Manoel Antunes; Poente: 20 m2 confronta com a divisão de Pedraça; Norte: 172 m2 confrontam com o n.º15; Sul: 172 m2 confrontam com o n.º13.

N.º15

No sítio de Cabeça de Silveira. Nascente: 20 m2 confronta com a tapada de Manoel Antunes; Poente: 20 m2 confronta com a divisão de Pedraça; Norte: 172 m2 confrontam com o n.º16; Sul: 172 m2 confrontam com o n.º14.

N.º16
No sítio de Cabeça de Silveira. Nascente: 20 m2 confrontam com a tapada de Manoel Antunes; Poente: 20 m2 confronta com a divisão de Pedraça; Norte: 172 m2 confrontam com o n.º17; Sul: 172 m2 confrontam com o n.º15.

N.º17

No sítio de Cabeça de Silveira. Nascente: 20 m2 confrontam com Manoel Antunes; Poente: 20 m2 confrontam com a divisão de Pedraça; Norte: 172 m2 confrontam com o n.º18; Sul: 172 m2 confrontam com o n.º16.

N.º18

No sítio de Cabeça de Silveira. Nascente: 20 m2 confronta com a tapada de Manoel Antunes; Poente: 20 m2 confronta com a divisão de Pedraça; Norte: 172 m2 confronta com o n.º19; Sul: 172 m2 confronta com o n.º17.

N.º19

No sítio de Cabeça de Silveira. Nascente: 20 m2 confronta com a propriedade de Manoel Antunes, Poente: 20 m2 confronta com a divisão de Pedraça; Norte: 172 m2 confrontam com o n.º20, Sul: 172 m2 confrontam com o n.º18.

N.º20

No sítio de Cabeça de Silveira. Nascente: 20 m2 confronta com a tapada de Manoel Antunes; Poente: 20 m2 confronta com a tapada do Padre João Chacim; Norte: 170 m2 confronta com o n.º21, Sul: 170 m2 confrontam com o n.º19.

N.º21

No sítio de Cabeça de Silveira. Nascente: 20 m2 confronta com a propriedade de Manoel Antunes; Poente: 20 m2 confronta com a tapada do Padre João; Norte: 170 m2 confrontam com o n.º22; Sul: 170 m2 confrontam com o n.º20.

N.º22

No sítio de Cabeça de Silveira. Nascente: 10 m2 confronta com a tapada de Manoel Antunes; Poente: 40 m2 confrontam com a tapada do Padre João; Norte. 170 m2 confrontam com o n.º23; Sul: 170 m2 confrontam com o n.º21.

N.º23

No sítio de Cabeça de Silveira. Nascente: 10 m2 confronta com a tapada de Manoel Antunes; Poente: 40 m2 confronta com o padre João; Norte: 170 m2 confrontam com o n.º24; Sul: 170 m2 confrontam com o n.º22.

N.º24

No sítio de Cabeça de Silveira. Nascente: 10 m2 confronta com a tapada de Manoel Antunes; Poente: 40 m2 confrontam com a tapada do Padre João; Norte: 170 m2confrontam com o n.º25; Sul: 170 m2 confrontam com o n.º23.

N.º25

No sítio de Cabeça de Silveira. Nascente: 10 m2 confronta com a tapada de Manoel Antunes; Poente: 40 m2 confronta com a tapada do Padre João; Norte: 170 m2 confronta com o n.º26; Sul. 170 m2 confrontam com o n.º24.

N.º26

No sítio de Cabeça de Silveira. Nascente: 15 m2 confronta com a tapada de Manoel Antunes; Poente: 40 m2 confronta com a tapada do Padre João; Norte: 170 m2 confrontam com o n.º27; Sul. 170 m2 confrontam com o n.º25.

N.º27

No sítio de Cabeça de Silveira. Nascente: 10 m2 confronta com a propriedade de Manoel Antunes; Poente: 40 m2 confronta com a tapada do Padre João; Norte. 200 m2 confrontam com o n.º28; Sul: 180 m2 confrontam com o n.º26.

N.º28

No sítio de Cabeça de Silveira. Nascente: 20 m2 confronta com a tapada de Manoel Antunes; Poente: 15 m2 confronta com António José Carvalho; Norte: 200 m2 confrontam com o n.º29; Sul: 200 m2 confrontam com o n.º27.

N.º29

No sítio de Cabeça de Silveira. Nascente: 20 m2 confronta com a tapada de Manuel Antunes. Poente: 15 m2 confronta com a tapada de António José Carvalho; Norte: 200 m2 confrontam com o n.º30; Sul: 200 m2 confrontam com o n.º27.

N.º30

No sítio de Cabeça de Silveira. Nascente: 20 m2 confronta com a tapada de Manoel Antunes; Poente: 15 m2 confronta com a tapada de António José Carvalho; Norte: 200 m2 confrontam com o n.º31; Sul: 200 m2 confrontam com o n.º29.

N.º31

No sítio de Cabeça de Silveira. Nascente: 20 m2 confronta com a tapada de Manoel Antunes; Poente: 15 m2 confronta com a tapada de António José Carvalho; Norte: 200 m2 confrontam com a propriedade de Manoel José Pereira Portella e com os n.º: 32, 33. Sul: 200 m2 confrontam com o n.º30.

N.º32

No sítio das Mangaretas. Nascente: 100 m2 confronta com a tapada de Domingos Barroso; Poente: 120 m2 confronta com a tapada de Manoel José Pereira Portella; Norte: 25 m2 confronta com 33* , Sul: 25 m2 confrontam com o n.º31.

N.º33

No sítio das Mangaretas. Nascente: 210 m2 confrontam com a tapada de Domingos Barroso; Poente: 15 m2 confronta com a tapada de Manoel José Pereira Portella; Norte: 138 m2 confronta com o n.º35; Sul: 25 m2 confronta com o n.º29*.



Nota do Tradutor:
Esta divisão encontra-se incompleta.


Lamenta-se qualquer imprecisão ou erro, justificando-se tendo em atenção ao mau estado de conservação do documento.


D.Quixote de Boadela

quinta-feira, 10 de julho de 2008

A ORIGEM DE "BOADELA"




A ORIGEM DE “BOADELA”


“Boadela”... há muito que o topónimo “Boadela” tem vindo a suscitar a curiosidade quanto à sua origem, sobretudo atendendo à similitude que apresenta com outras localidades do centro e sul do país (por exemplo, Adoadela cita em Amarante, ou Bobadela em Lisboa). Efectivamente a similitude dos vocábulos é inegável. Cabe indagar: terão alguma relação? Algum fundamento comum? Alguma característica, especificação que justifique? Vejamos a origem etimológica do vocábulo apresentado. José Pedro Machado ( in Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa) refere que num documento do ano de 954 verifica-se a grafia Abohadella, considerando que deve tratar-se da adaptação do nome próprio árabe abū ´abd allaH, «pai do servo de Deus». No entender do referido autor, a referida grafia terá estado na origem da forma “Bobadela”, que ocorre nas zonas de Amarante, Oliveira do Hospital, Chaves, Boticas, Loures, bem como na Galiza. José P. Machado relaciona também com este nome o vocábulo “Boabdil”, sendo este uma adaptação românica divergente, de origem andaluza, do nome do último rei mouro de Granada.

Afigura-se, deste modo, como sendo provável que este topónimo do Centro e do Norte de Portugal esteja ligado a um nome próprio árabe, o que não é de admirar, dada a importância das comunidades moçárabes no Centro de Portugal e as possíveis deslocações de população na extensa zona de fronteira cristã-muçulmana ao longo da Alta Idade Média. O facto de aparecer no Sul da Galiza também não é de estranhar, visto que a zona de Celanova compreende uma importante componente moçárabe do séc. X.

Posto isto, cabe, não obstante, perguntar se estamos realmente a lidar com um antropónimo árabe. Os que existem espalhados entre o Norte e o Centro de Portugal terminam em -e, evolução do -i do genitivo latino que era sufixado a esses antropónimos. Deste modo, será legítimo duvidar da filiação árabe do presente antropónimo.

No entanto, outra via de raciocínio se levanta. O topónimo “Boadela” terá procedido de “Bradella”, tendo assim, origem latina. “Bradella” é sinónimo de “pousada”, aponta para “lugar onde se pára ou onde se demora”, tendo, por via da evolução fonética culminado naquilo que é hoje.

Deste recuar às raízes etimológicas de “Boadela”, verificamos que qualquer que seja a sua origem etimológica ela está intimamente conectada com a sua origem histórica, de contrário, mais não seria do que vãs especulações acerca de nomenclatura antiga. Teremos que analisar os primórdios da aldeia em questão, para que a partir daí se infira a sua verdadeira origem.

As invasões muçulmanas em território nacional foram um facto, tendo início na Península no ano de 711, com o desembarque em Gibraltar de 12.000 berberes comandados por Tarik. No ano de 714 os invasores tomaram Santarém, Coimbra e Viseu, seguindo-se a rendição de Portucale (Porto), Braga, Tui e Lugo. Em 716, apenas cinco anos após a queda do último rei visigodo toda a península estava em poder dos muçulmanos. Não obstante, o domínio na península não foi pacífico, havendo uma primeira revolta contra a ocupação por volta de 722 quando um grupo de refugiados cristãos, escondidos nas montanhas das Astúrias (norte da península), venceu a batalha de Covadonga comandados por Pelágio, dando início à reconquista cristã. Os muçulmanos apenas foram erradicados de território nacional em 1249, sob o comando do rei D. Afonso III.

Porém, antes da presença sarracena, a Península Ibérica foi palco de uma outra invasão, a romana. Esta iniciou-se no contexto da Segunda Guerra Púnica (218 a.C.-201 a.C.), sob o comando do cônsul Cneio Cornélio Cipião. Entretanto, a ocupação da Península não foi pacífica. A partir de 194 a.C, registraram-se choques com tribos de nativos, denominados genericamente como Lusitanos, conflitos que se estenderam até 138 a.C., denominados por alguns autores como guerra lusitana. Nesse contexto, destaca-se um grupo de Lusitanos liderados por Viriato. A ocupação romana estendeu-se por toda a Península, conseguindo-se um domínio efectivo sobre as mais variadas zonas em virtude das vias de comunicação que foram construindo, bem como sobre outros meios de “romanização” que foram encetando.

Deste modo, apesar da presença muçulmana ter ocorrido, é possível que o topónimo “Boadela” tenha origem latina: “Bradella”, sendo sinónimo de “pousada”, de “lugar onde se pára ou onde se demora”. E esta solução afigura-se como sendo a mais credível por três ordens de argumentos: primo, cronológico, secundo, histórico-arquiológico, tercio, de razoabilidade prática.

Efectivamente, em termos cronológicos, a ocupação romana da Península precede a invasão sarracena, sendo que, a origem de Boadela enquanto povoamento castrejo, pré-romano, pode perfeitamente enquadrar-se antes da invasão muçulmana. Em segundo lugar, em virtude de escritos paroquiais, há dados que retratam o achado de moedas do período romano na referida aldeia, o que aponta, tendo em conta a sua localização e a consistência dos dados (o que pressupõe uma prévia análise crítica), para a existência de relações comerciais no referido lugar tendo por base a moeda. Tal ilação levar-nos-ia, certamente a crer, que a existência de Boadela, como aldeia, pequeno povoado, pequeno aglomerado, quiçá como pequeno castro. Pensa-se que Boadela teve a sua origem num pequeno Castro, pequeno aglomerado de casas (cujas ruínas ainda hoje é possível visitar), localizado num vale côncavo, abrigado das intempéries, e de características bastante rudimentares. A povoação aí existente dedicar-se-ia preferencialmente à pastorícia, localizava-se junto a um curso de água, e possuía um elevado índice recolector. Este seria o primórdio de Boadela enquanto povoação castreja, pré-romana. Todavia, com o advento da invasão romana, e posterior influência, a dita romanização, esta povoação terá evoluindo ao longo dos tempos. O achado das moedas romanas que data do séc. XIX, será um testemunho dessa influência, neste caso retractando um índice de economia de mercado, expoente da influência romana neste local.

Em terceiro lugar, teremos que atender a um argumento de razoabilidade prática, o qual se prende com a análise da relação que pode existir entre o significado de “Bradella” e a sua geomorfologia. “Pousada”, “lugar onde se pára ou onde se demora”, eis os sinónimos que surgem para o vocábulo latino Bradella. Actualmente, esta aldeia é uma como tantas outras que a circundam. Não obstante, o que fará dela a dita “pousada” de outrora? Situada num planalto, apesar de a sua origem ser numa parte abrigada, a Bradella poderá ter sido um ponto de passagem obrigatório das populações de antigamente. Há não muito tempo atrás, as pessoas que se deslocavam de Nordeste (cite-se a título exemplificativo, Cavês, Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar, ....) para Cabeceiras de Basto, ou para Braga, por motivos vários desde romarias, feiras periódicas, comércio, etc., atravessavam a Serra do Moledo, por uma calçada de pedra, no seu sopé deparavam-se com uma ponte de contornos rudimentares designada de Ponte das Boucinhas, subiam até à povoação, e, uma vez chegados ao Cruzeiro, desciam a encosta até Cabeceiras e demais possíveis destinos. Esta travessia findou por volta dos anos 70 como consequência da abertura de estradas nacionais, bem como abertura de outras vias. Certo é que Boadela era ponto de passagem para essas gentes, que durante séculos passaram ali, a pé, a cavalo, com gados, para romarias, para feiras regionais, para culto, para trabalhos sazonais, etc. Mas não só de Nordeste vinha o fluxo de passageiros. Também de Norte e Noroeste, afluíam gentes ao lugar de Boadela. As gentes do Alto Barroso que necessitavam de ir a Cabeceiras de Basto, a Braga, ao Porto, também nesses casos Boadela era ponto de passagem.

Se bem vistas as coisas, dir-se-ia que Boadela seria como um ponto óptimo no mapa dos fluxos (temporários ou não) que se fizeram durante grande parte do séc.XX. E se isso assim sucedia até à quase contemporaneidade, tudo indica que se fizesse desde tempos imemoriais. Seria inevitável que não surgisse a questão: terá sido a Bradella este ponto de passagem, o local onde se repousa, em tempos de ocupação romana? Terá tido a Bradella a função de elo de ligação no mundo romano? Terá sido a sua “geomorfologia estratégica" (de planalto), e a sua “localização óptima” (ponto de passagem das gentes para os diversos locais relevantes da altura) que terão ditado a sua designação: “Bradella”? Cremos que sim. Embora muitas questões permaneçam em aberto, crê-se que a origem do vocábulo Boadela se prende com a designação latina Bradella, advindo esta, possivelmente, do papel que este lugar teve durante o período de romanização, o qual, como já foi referido, manteve-se até quase até aos nossos dias. Quanto ao papel e reais contornos que a Bradella teve nesse período talvez nunca se chegue a saber na sua plenitude, porém, este legado patente na sua designação deixa-nos entrever o quão relevante foi, perdurando as suas jeiras até à contemporaneidade, fazendo jus ao velho brocado latino “todos os caminhos vão dar a Roma”.



D. Quixote de Boadela